Reconhecimento de tipos e gêneros textuais

 

Narração

Narrar é contar um fato (real ou fictício). Tipicamente, em uma narração os verbos estão no passado.

Descrição

Descrever consiste em apresentar as características de alguma coisa. Tipicamente, em uma descrição vamos encontrar muitos adjetivos. Um exemplo de descrição são os anúncios de venda que encontramos em um jornal.

Dissertação

Dissertar é explicar, falar sobre um assunto. Ela pode ser de dois tipos:

a)Dissertação-Exposição

O saber apresentado já foi construído. Assim, a dissertação busca expor as ideias sobre um determinado assunto. 

b)Dissertação-Argumentação

Nessa modalidade a dissertação apresenta o ponto de vista do autor sobre um determinado tema.

Injuntivo ou Instrucional

São textos que contém instruções. Exemplos típicos são manuais e receitas. Tipicamente os verbos estão no modo imperativo.

Questões de Concursos

Ouro em FIOS

​A natureza é capaz de produzir materiais preciosos, como o ouro e o cobre — condutor de ENERGIA ELÉTRICA.  O ouro já é escasso. A energia elétrica caminha para  isso. Enquanto cientistas e governos buscam novas fontes de energia sustentáveis, faça sua parte aqui no TJDFT:

— Desligue as luzes nos ambientes onde é possível usar a iluminação natural.
— Feche as janelas ao ligar o ar-condicionado.
— Sempre desligue os aparelhos elétricos ao sair do ambiente.
— Utilize o computador no modo espera.

Fique ligado! Evite desperdícios. Energia elétrica. A natureza cobra o preço do desperdício.

(TJDFJ/2015) Há no texto elementos característicos das tipologias expositiva e injuntiva.

Comentários:

​Uma das técnicas que eu utilizo para acertar estas questões é ir por eliminação. A primeira pergunta que eu faço é: esse texto é uma narração? Ou seja, conta um fato e os verbos estão no passado.

A resposta é não! 

Depois, eu pergunto o seguinte: Esse texto é instrucional ? Ou seja, contém instruções, tem verbos no imperativo.

A resposta é: Sim! Note os trechos: "Desligue as luzes", "Feche as janelas". O texto também é dissertação-expostiva.Note que o autor aborda (expõe, reproduz) conhecimentos sobre a capacidade da natureze produzir materiais preciosos. Portanto item correto. 

Escritos sobre História

A mais ínfima felicidade, quando está sempre presente e nos torna felizes, é incomparavelmente superior à maior de todas, que só se produz de maneira episódica, como uma espécie de capricho, como uma inspiração insensata, em meio a uma vida que é dor, avidez e privação. Tanto na menor como na maior felicidade, porém, há sempre algo que faz que a felicidade seja uma felicidade: a faculdade de esquecer, ou melhor, em palavras mais eruditas, a faculdade de sentir as coisas, durante todo o tempo que dura a felicidade, fora de qualquer perspectiva histórica. Aquele que não sabe instalar-se no limiar do instante, esquecendo todo o passado, aquele que não sabe, como uma deusa da vitória, colocar-se de pé uma vez sequer, sem medo e sem vertigem, este não saberá jamais o que é a felicidade, e o que é ainda pior: ele jamais estará em condições de tornar os outros felizes. É possível viver, e mesmo viver feliz, quase sem lembrança, como o demonstra o animal; mas é absolutamente impossível ser feliz sem esquecimento. (F. W. Nietzsche. II Consideração intempestiva sobre a utilidade e os inconvenientes da história para a vida. In: Escritos sobre história. São Paulo: Loyola, 2005. p. 72-3, com adaptações).

(CESPE/TCU/2011) O texto caracteriza-se como predominantemente dissertativo-argumentativo, e o autor utiliza recursos discursivos diversos para construir sua argumentação, como, por exemplo, linguagem figurada e repetições

​Comentários:

A primeira pergunta que eu faço é: Esse texto é uma narração? Ou seja, conta um fato e os verbos estão no passado.

A resposta é não! 

Esse texto é instrucional ? Ou seja, contém instruções, tem verbos no imperativo. 

De novo a resposta é: Não!

Ora, provavelmente estamos diante de uma dissertação. Agora vamos, ver se ele é expositiva ou argumentativa.

Note que  autor coloca no texto sua opinião sobre a felicidade. Assim, temos uma dissertação-argumentativa. Sendo a felicidade um substantivo abstrato é natural que o texto use uma linguagem figurada (não é usado sentido real) para tratar do tema. A repetição mais clara no texto é da palavra felicidade. Item correto. 

Da memória e da reminiscência

A fenomenologia da memória aqui proposta estrutura-se em torno de duas perguntas: De que há lembrança? De quem é a memória? Essas duas perguntas são formuladas dentro do espírito da fenomenologia husserliana. Privilegiou-se, nessa herança, a indagação colocada sob o adágio bem conhecido segundo o qual toda consciência é consciência de alguma coisa. Essa abordagem “objetal” levanta um problema específico no plano da memória. Não seria ela fundamentalmente reflexiva, como nos inclina a pensar a prevalência da forma pronominal: lembrar-se de alguma coisa é, de imediato, lembrar-se de si? Entretanto, insistimos em colocar a pergunta “o quê?” antes da pergunta “quem?”, a despeito da tradição filosófica, cuja tendência foi fazer prevalecer o lado egológico da experiência mnemônica. A primazia concedida por muito tempo à questão “quem?” teve o efeito negativo de conduzir a análise dos fenômenos mnemônicos a um impasse, uma vez que foi necessário levar em conta a noção de memória coletiva. Se nos apressarmos a dizer que o sujeito da memória é o eu, na primeira pessoa do singular, a noção de memória coletiva poderá apenas desempenhar o papel analógico, ou até mesmo de corpo estranho na fenomenologia da memória. Se não quisermos nos deixar confinar numa aporia inútil, será preciso manter em suspenso a questão da atribuição a alguém e, portanto, a todas as pessoas gramaticais do ato de lembrar-se, e começar pela pergunta “o quê?”. (Paul Ricouer. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: Editora da Unicamp, 2007, p. 23, com adaptações)

(CESPE/Analista de Correios/Letras/2011) No texto, que se caracteriza como expositivo-argumentativo, identificam-se a combinação de vocabulário abstrato com metáforas e o emprego de estruturas sintáticas repetidas.

Comentários:

Uma das técnicas que eu utilizo para acertar estas questões é ir por eliminação. A primeira pergunta que eu faço é: esse texto é uma narração ? Ou seja, conta um fato e os verbos estão no passado. A resposta é não! Depois pergunto o seguinte: esse texto é instrucional ? Ou seja, contém instruções, tem verbos no imperativo. De novo a resposta é: Não! Ora, só podemos estar diante de um texto dissertação. Agora vamos, ver se ele é expositiva ou argumentativa. Note que além de expor um conhecimento, o autor faz diversas indagações. Veja que o autor falarn em "fenomenologia husserliana". Nesse momento ele está expondo um conhecimento que já existe. Contudo, o autor também discute o tema. Ou seja, ele não apenas expõe o cohecimento mas também coloca sua opinião. Logo, estamos de fato diante de um texto expositivo-argumentativo.

Também é verdade que encontramos estruturas sintáticas repetidas, por exemplo, as diversas perguntas ao longo do texto. Também temos frases inciando com "Se": " Se nos apressarmos a dizer...."; "Se não quisermos nos deixar".

Por fim, uma  metáfora é uma figura de linguagem que produz sentidos figurados por meio de comparações implícitas. Essa foi a parte mais difícil da questão. Confesso que tive que ler várias vezes o texto e se fosse na prova talvez deixasse essa alternativa em branco. Além do vocabulário do texto não ser trivial, não é fácil achar as metáforas.A metáfora mais clara, para mim, é o trecho: "até mesmo de corpo estranho na fenomenologia da memória", ao falar da memória coletiva. Ora, a memória não é um corpo, o que está sendo usado aqui é um sentido figurado. Também na frase "o lado egológico da experiência mnemônica", esse "lado egológico" também está sendo utilizado em sentido figurado. 

A dificuldade da questão justifica-se, talvez, pelo fato de ser uma prova para o pessoal de letras. Contudo, conhecendo o CESPE poderia aparecer quem qualquer prova. Gabarito: Certo 

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